Feeds:
Posts
Comentários

SEJAM BEM-VINDOS!

Escrevi por algum tempo no portal eletrônico Itapetinga City (setembro de 2003 a fevereiro de 2005), onde mantinha uma coluna chamada Causos do Seu Getro, dedicada a falar do nordeste, dos costumes do sertão, dos poetas repentistas, da literatura de cordel. Preguiçoso no inicio, mantive acesa a chama graças as palavras generosas dos internautas que me incentivavam a continuar escrevendo sobre poesia.

Os que me conheciam há mais tempo, incitavam-me a contar “causos” pessoais da juventude, acontecidos neste mundão de meu Deus. Os Causos do Getrão surgiram em março de 2005, como uma categoria à parte do site do meu filho. A repercussão foi maior que o esperado, onde eu recebia todos os dias emails gratificantes e opiniões favoráveis aos meus escritos.

A migração para um domínio próprio aconteceu em julho de 2006, mês em que completei 80 anos de idade. Algumas reformulações e upgrades (essa palavra foi meu filho quem me ensinou) depois, e cá estou apresentando este compêndio de acontecimentos que resgatei com muito carinho do cofre da memória.

Tive o prazer de colecionar aqui, alguns “causos” ocorridos – na sua maioria – na década de 50. Como os eventos aqui registrados aconteceram há mais de meio século, peço que perdoem qualquer poeira que embaçar estes escritos. Foi necessario muita ginástica mental para reproduzir o mais fielmente possível o que aconteceu naquela época.

Parafraseando o poeta nordestino Silvio Romero: como eu gosto disso, como isto me faz bem, saber que estou sendo apreciado por um público inteligente que procura – mesmo sabendo da insignificância do texto que apresento – encontrar algo proveitoso ou interessante.

De posse do título de Contador de Causos, tomo a palavra e digo:
TUDO O QUE AQUI ESTÁ REGISTRADO É VERDADE E DOU FÉ.

Fiquem a vontade para deixar comentários, críticas e sugestões. Boa leitura!

Um Sonho

Esse texto já estava escrito há várias semanas, entretanto, não foi possível apresentá-lo na rede no periodo correto, porque meu filho entendeu – com o seu senso crí­tico – que não possuia no contexto da história, o significado de um ‘causo’. As vezes, nem sempre a imaginação desse pobre desconhecido, está a postos nos momentos de necessidade.

Tive um marcante e estranho sonho com uma pessoa maravilhosa e muito especial em minha vida. Enquanto viveu, me dispensou atenção, consideração e uma gama infinita de deferencias e gentilezas. Como esquecer de Seu Antero; meu compadre, e meu sogro? Ai, como me fez bem aqueles breves instantes do meu adormecer.

Sonhei que estava em Salvador-Bahia, participando de uma festa em comemoração ao aniversário de Seu Antero – que Deus o tenha ao Seu lado no céu, lugar mais que merecido a essa figura bastante singular, que só praticou o bem enquanto viveu. Grande parte da famí­lia estava presente e o clima era de alegria por toda parte. Alguns se divertiam bebericando sua cervejinha, outros cantando e dançando ao som da música ao vivo que acontecia no lugar. Para completar o quadro, uma dupla de famosos violeiros repentistas se exibiam cantando louvores a algumas pessoas da famí­lia, culminando com versos de felicitações para meu sogro, desejando-lhe muitos anos de vida.

Foi quando, no meio de toda aquela explosão de alegria, alguem gritou bem alto: “Queremos ouvir a palavra de Getro!” No momento em que me aproximei de onde deveria falar, despertei…E com os olhos em lágrimas banhados, sentei-me na cama e fiquei recordando da figura de Seu Antero: Aquele homem forte, enérgico, trabalhador, exemplar chefe de família que agora não mais existe. Como consolo, restava apenas a imorredoura saudade que me acompanhará eternamente enquanto viver.

Perdão meus caros internautas, mas essas imagens que o sonho revelou, feriram-me profundamente. Não sei se uma outra coisa deixará na minha alma uma impressão assim tão pungente como esse tipo de sonho, que as vezes emana da realidade.

Fica aqui meus leitores, um pouco de reflexão encontrada pelos caminhos da existência: “Como a árvore da vida é rudimente sacudida a nossa volta… como as folhas vão caindo… como se quebram os galhos… como somos impontentes diantes dessa triste verdade”.

Escrito originalmente em 03 de Dezembro de 2004

Postagens Antigas »