Eu sou um eterno saudosista. A saudade representa um sentimento misterioso que até hoje os mestres do pensamento não conseguiram defini-lo. No armazém do cofre do passado existe um punhado de saudade. Tenho-a diante dos olhos, quando os fecho, como se tivesse acontecido ontem. Vamos pinçar um delas para o ‘causo’ deste mês.

A minha atividade profissional está inserida em uma pequena gráfica, sendo pioneiro no ramo na cidade de Itapetinga. Vez por outra, aparecia alguns trabalhos das cidades circunvizinhas então, era obrigado a fazer as entregas do material encomendado nos fins de semana.

Nessa época, minhas duas filhas que ainda estavam pequenas e a minha querida esposa, me acompanhavam nas viagens de negócios. Minha sogra morava perto e também era sempre convidada a nos acompanhar. Ela não se fazia de rogada. Estava sempre pronta. Pessoa bondosa, que nos brindava com um carinhoso desvelo as suas netas durante a viagem e, fazia bem a nós outros, tê-la como agradável companhia. Nestas pequenas excursões, ela aproveitava os breves momentos para apreciar as novidades locais e sempre comprava alguma coisa.

Já era costume: eu ia fazer as entregas enquanto a trupe se divertia no comércio local. No retorno de uma dessas jornadas, estava eu a reunir o meu precioso grupo quando Dona Maria – minha sogra – pediu-me: “Aguenta só um pouquinho e vamos naquela mercearia. Vou ver se compro uma lata de goiabada Talher, é uma marca muito boa e gostosa!”

Ao chegar ao estabelecimento, ela pediu a tal goiabada ao rapazinho que lhe atendeu. Não sei se ele ouviu direito, ou não entendeu, mas quando reparei, vinha ele com uma caixa contendo colher, garfo e faca. A minha sogra, olhando para nós com seu sorriso inteligente e maroto, respondeu simplesmente ao rapaz: “Não é desse que eu estou a procura. Me desculpe o inconveniente…” E saimos todos morrendo de rir.

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