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No cofre da saudade, tenho guardado histórias que me gratificam bastante ter oportunidade de mostrar aos meus amigos internautas. Abri a gaveta do tempo e tirei de lá esse causo, para começar o ano novo, com causo novo. Digo novo porque aconteceu recente em comparação aos anteriores, que já se foram há meio século.

Nas histórias que venho escrevendo, busco divertir, distrair, prender a atenção do leitor com um linguajar cômico, recheado de pitadas de humor. As medidas que eu uso no corpo do pensamento nunca se ajustam perfeitamente. Ora ficam apertadas, ora ficam folgadas. Até me lembram Andrade, o personagem deste nosso causo.

Andrade, meus amigos, era funcionário do Banco do Brasil aqui em Itapetinga-BA, e sempre que eu ia até lá, ele me dispensava um atendimento todo especial, marcado por uma maneira atenciosa e agradável de resolver meus problemas. Sempre atento na sua profissão, não tardou a nossa aproximação fora do expediente bancário.

Eu sempre gostei de trocar idéias com pessoas onde o batepapo servisse como proveito de alguma coisa. E Andrade possuia um acervo bastante peculiar de causos. Gostava de poesias e estava sempre pronto para soltar suas tiradas inteligentes e precisas. Certa ocasião, ele me contou o seguinte:

“Getro, eu fui designado pelo Banco para fazer parte de um seminário que aconteceria em Fortaleza-CE. Seriam duas semanas para ficar – por conta do curso – na capital do Ceará. Viajei na sexta e cheguei ao meu destino no sábado. Os trabalhos só iriam começar na segunda-feira. Bem, eu tinha dois dias livre para conhecer as lindas praias que Fortaleza oferece. O hotel em que fiquei hospedado, ficava bem de frente para mar. Fazia bastante calor, então fui procurar um barzinho, onde pudesse tomar uma cervejinha gelada.

“Troquei de roupa, vesti um bermudão e fui para a praia. Não demorei muito para encontrar o que estava procurando. Um som parecido de violão vindo de um bar, atraiu-me à atenção. Quando fui chegando no local avistei dois violeiros repentistas trocando versos. Foi quando um deles me olhando de cima a baixo, saudou a minha chegada com um repente referindo-se ao meu folgado bermudão:

A roupa desse rapaz
É a coisa mais feia
Que já vi na minha vida
O alfaiate que fez
Botou a peça perdida
Prá comprida ficou curta
Prá curta ficou comprida.

“Depois desta recepção calorosa desisti do passeio e voltei direto para o quarto do hotel. E só sai de lá para o meu seminário.”

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