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As muitas recordações que eu consegui juntar e depositar no baú do tempo, existem algumas tão fortes, que ainda estão vivas e dançando na minha memória. O que espero e desejo é  saber traduzir com os traços que escrevo, toda a emoção vivida nos acontecimentos que irão compor a história desse ‘causo’ de hoje.

Nos anos 50, em Campina Grande, cidade nº1 do estado da Paraí­ba, a prefeitura local numa atitude progressista, tornou necessário a mudança das instalações elétricas de alguns bairros. Por conta disso, alguns apagões aconteceram, gerando protestos dos moradores das ruas atingidas. Para piorar a situação, a falta de energia atingiu a adutora que fornecia o abastecimento de água a uma boa parte da cidade, gerando mais protestos pela falta do precioso líquido. Como coisa ruim nunca vem só, aconteceu um incidente violento, e ao mesmo tempo grotesco, que causou polêmica, além de chamar a atenção da população citadina. Vamos aos fatos.

Em um bar da periferia, um grupo de jovens ocupava uma mesa bebendo sua cervejinha gelada, tocando violão e cantando parabéns para um deles que estava aniversariando naquele dia. Tudo na maior alegria e animação, até que entrou no bar um elemento procurando encrenca com as pessoas que ali estavam curtindo seu final de semana. O ponto escolhido pelo desordeiro foi onde os jovens brindavam a saúde do aniversariante.

O bagunceiro era um elemento conhecido na cidade por vários distúrbios praticados. Por pertencer a uma das famílias ilustres e de grande prestigio político, sempre conseguia se safar. Na mesa que ele escolheu para criar caso, havia junto um oficial da policia em traje civil, que logo tomou providências na solução do problema. Ele pertencia a corporação sediada na capital – João Pessoa – identificou-se para dois soldados que estavam na rua perto do bar, e ordenou que levassem preso aquele sujeito até a delegacia, onde seria registrada a ocorrência.

O mau caráter ficou preso esperando que o delegado chegasse para resolver seu caso. A sua detenção aconteceu mais ou menos ás onze da manhã e o Delegado só apareceu ás quatro da tarde. Imediatamente, mandou que trouxessem a sua presença o dito cujo arruaceiro. Quando foi apresentado, o preso não perdeu tempo e foi logo xingando: “Seu delegadinho de merda! Porque só agora você apareceu aqui?”

Ao ser retrucado para respeitar a autoridade, sacou uma faca que trazia escondida e investiu contra o surpreso Delegado, ferindo-lhe no braço. Pela confusão criada dentro da delegacia, deixo o desfecho desse acontecimento por conta da imaginação dos meus queridos internautas.

Estão pensando que terminou aqui? Nada disso, tem mais coisa…

Nesta época, eu trabalhava no Grande Hotel de Campina Grande, que ficava bem de frente a  Rua Leovigildo Vieira. Esse logradouro era bastante concorrido pela população local por ser localizado no centro da cidade, muito atraente para investir em construções de casas comerciais.

Guardei o nome dessa rua. Agora passados quase 60 anos, não posso afirmar se ainda se chama Leovigildo Vieira. Bem, isto não vem ao caso, mas sim, uma construção que ficou muito famosa pelos meritos alcançados durante algum tempo, e que ficava localizada nesta rua: a Sapataria Casa Cruz.

A obra ficou parada por alguns meses. Durante esse periodo, como já estavam os muros levantados, o lugar tornou-se um verdadeiro convite aos notívagos, que o aproveitavam para fazer suas nescessidades fisiológicas, seus namoricos e suas transas, o que ficou marcado na história da cidade, originando comentários satíricos.

Entre muitos destes, a soma dos acontecimentos citados neste ‘causo’ deu oportunidade para que os poetas de cordel, sempre de plantão, mostrassem toda sua irreverência nos versos descritos abaixo:

Capina Grande
Cidade que seduz:
De dia falta água
De noite falta luz,
Furaram o delegado
E cagaram na Casa Cruz.

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