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Já confessei em causo escrito anteriormente, que as minhas histórias são bordadas em um tecido colorido, com alguns fios de verdade e outros de imaginação. Decorridos mais de cinquenta anos é possível haver alguma alteração nos fatos e na verdade dos acontecimentos. Mas isto realmente importa? O que vale mesmo é o deleite do leitor.

Lá pelos anos 40, quando trabalhava no grande hotel de Campina Grande tive oportunidade de conhecer muitas figuras interessantes que com o passar do tempo acabaram tornando-se meus amigos. Um deles chamava-se Zé de Zim. Nome esquisito eu concordo, mas não sei se voces já perceberam que na Paraíba quase todo mundo é Zé. O Zim nem vou tentar explicar. O que eu sei bastante do Zé, é que ele gostava de jogar. Nessas aventuras as vezes ganhava, as vezes perdia e assim ia levando a vida de quem é viciado em jogo.

Eu também já tive o meu fascínio pela sorte e o dinheiro fácil. Porém, não precisou de muito tempo para descobrir que tudo é ilusão. Então, preferi acreditar na máxima popular que diz: “Quem é infeliz no jogo, é feliz no amor…”

Certa feita, estava Zé, eu e alguns amigos num bate papo onde o assunto era o jogo de bingo. O meu caro Zé, dizia não estar em seu dia de sorte, pois havia perdido bastante no bingo. Em dado momento se acercou de nós um mendigo e pediu uma esmola. O sujeito nem bem havia terminado a súplica e Zé de Zim botou a mão na algibeira e de lá tirou uma moeda de prata no valor de 2.000 réis. Ora, naquele tempo as esmolas dadas aos pedintes eram no máximo 100 réis quando muito generosas.

Diante da nossa admiração pelo ato do nosso amigo, ele se justificou dizendo: “Perdi 50.000 reis jogando bingo, então faz de conta que o prejuízo foi de 52.000 reis.” Até aí tudo bem, não fosse pelo inusitado que aconteceu em seguida. Ainda estavamos conversando, quando o mendigo aproximou-se de mansinho, chamou Zé de Zim pedindo reserva e disse assim:

Moço, achei um besta ali e passei adiante! Comprei cem réis de cigarro e recebi mil novecentos de troco.

Não entendi, passou o que? – perguntou Zé com cara de espanto.

Aquela prata falsa que o senhor me deu. Eu troquei numa bodega onde um besta acreditou que era verdadeira.

Diante da confissão do mendigo Zé não se conteve e arrematou: “Agora acabei de acreditar que hoje é meu dia de AZAR!!! Dou 2.000 réis de esmola a esse miserável e ele me agradece dizendo que a moeda que eu lhe dei é falsa! É bom que vocês vejam até que ponto o castigo me persegue. PASSA LOGO DIA AZARENTO!

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