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Atendendo aos inúmeros pedidos, resolvi encerrar este ano de 2005 contando mais um causo do folclório Pedro Pixaco. Pelos comentários que recebo com referência as ardilosidades desse dito cujo, tenho impressão que ele já tornou-se uma figura admirada e até mesmo famosa, aqui em meu website. Pedro se destacava pelos seus feitos extraordinariamente maquiavélicos onde levava pessoas de boa fé a acreditar em tudo que ele dizia, quando na verdade queria apenas tirar proveito para si próprio.

O que muito me intriga nisso tudo é como um indivíduo totalmente analfabeto, conseguia sair-se airosamente de todas as suas tramóias. Durante os anos que privei da amizade de Pedro – e ia tendo conhecimento do que ele havia aprontado -, contar tudo seria necessário escrever alguns volumes. O nosso personagem fez coisas que até o diabo duvida. O seu campo de ação não havia limites. Até pessoas esclarecidas embarcavam em sua canoa furada.

Na Paraiba existe um costume bem peculiar do paraibano que é agregar ao nome da pessoa a sua profissão. Por exemplo: Zé do bode, aquele que vende carne de caprino, Mário carpinteiro, Pedro do açougue, e assim por diante. O causo que segue nas poucas linhas abaixo, aconteceu com Júlio do Rebate.

Júlio era proprietário de um jornal que circulava em Campina Grande-PB. O nome do matutino se intitulava Rebate. Entendeu, não? Pois bem, Pedro negociou com o dono do jornal uma pedra de cristal muito bonita e reluzente, dizendo tratar-se de um brilhante.

O nosso redator de notícias foi na conversa, acreditando ser realmente um diamante legítimo. Depois do negócio feito, Júlio entregou como pagamento uma nota promissória com vencimento após trinta dias. Ele pegou o suposto diamante, levou para sua residência e guardou com muito cuidado no cofre a valiosa jóia.

Passados alguns dias, Pedro encontrou João Cícero, um amigo de Júlio e fez essa pergunta:

– João vocé que é amigo de Júlio do Rebate, me diga uma coisa, ele é um homem sério, não é?

– É sim, Pedro. Júlio é um homem muito sério e honesto! – retrucou João desconfiado. Por que você  está me perguntando isso?

– Bem, eu vendi um cristal a Júlio e disse que era brilhante, então ele me entregou uma promissória que só vence daqui a trinta dias. Será que ele vai me pagar no dia do vencimento? – indagou Pedro na maior cara-de-pau.

Diante da indagação absurda, João não se conteve em dar uma risada.

– Pedro, eu falei que Júlio era um homem sério nos negócios honestos, mas esse negócio que você fez com ele não foi nada honesto. Portanto, dê graças a Deus se Júlio não mandar a polícia lhe prender por ter vendido uma pedra de cristal dizendo ser brilhante. Tome jeito, Pedro!

– Espera aí João! Você não me entendeu. Eu falei que era brilhante porque a pedra brilhava muito. E isso é verdade!

Publicado Originalmente em Novembro de 2005

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