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Apesar dos contratempos, o riso da existência conseguiu sobrepor-se a lágrima dos vales de algumas ocasiões por qual passou o teimoso contador de causos desta coluna. Gostaria muito de discorrer na tela do seu computador, relatos coloridos e brilhantes, porém, a anatomia do meu corpo – diga-se de passagem – gasta pelo tempo, falou com toda a sua propriedade: AVISO AO DONO DO TERRENO! CUIDADO COM AS ERVAS DANINHAS! NÃO DEIXE O ATÉ LOGO MOSTRAR O ADEUS.

Nós nunca examinamos cuidadosamente o abismo da vida, as suas frustações, as suas decepções, que em determinadas consequências produzem sérios prejuízos causados pelas irresponsabilidades que os condutores praticam em nome de VIVER BEM. Deixe-me traduzir todo esse chove não molha: imagine uma obra de arte desgastada pelo tempo, sendo restaurada por um perito extremamente competente. Oxalá consigam êxito!

Tudo isso dito sem ser perguntado, todo esse desabafo… passamos então para o assunto principal que nos envolve o corpo e a alma: POESIA. Alimento espiritual onde o condimento mágico vem dos maravilhosos mestres da culinária poética em que o sabor é sentido e procurado como versos da inconteste poesia sertaneja, nordestina, brasileira. Abaixo, trecho de Amadeu de Castro.

Que parte, gosto não tem!
Quem fica. como terá?
Quem parte – põe-se a chorar,
Quem fica – chora também.

Não sei se vou ou se fico,
Não sei se fico ou se vou:
Partindo não fico aqui,
Ficando aqui não vou lá.

Queria achar quem dissesse
Onde o pesar mais aumenta:
Se no peito de quem fica,..
Se na alma de quem se ausenta.

Na desgraça de não ver-te,
Não faz meu amor mudança:
Quanto mais longe da vista
Mais te trago na lembrança!

Quem disser que amor não dói
Desconhece amor, então:
Queira bem e viva ausente,
Veja lá se dói ou não.

Quem inventou a partida
Não sabia o que era amor:
Quem parte – parte sem vida
Quem fica – morre sem dor.

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