Em causo anterior, tive a oportunidade de confessar que as histórias que escrevo, são produzidas em um pano colorido, contendo dois fios de verdade e três de imaginação. As vezes é preciso um pouco de imaginação nos personagens para que eles se movimentem a vontade e, ao mesmo tempo, agradem os leitores internautas.

Hoje vou contar para vocês o romance de um casal de jovens namorados completamente apaixonado. Imagine aí, um rapaz de vinte anos, corpo atlético, músculos bem divididos, porte de galã de cinema e, alem de tudo, um desejo ardente pela mulher amada. O desejo é um órgão ligado aos sentidos, a expressão natural da vida. O verdor dos anos atesta bem a esse jovem, o calor deste sentimento.

Agora, vamos ver se consigo adjetivar a perfeição, o charme, o glamour, em suma, toda beleza que é portadora a jovem apaixonada: Dezoito anos, toda airosa, com um andar suave e ondulante, em plena florescência dos desejos que o sexo impõe. Para melhor definir essa sereia – valho-me de alguns versos de Fulô do Mussambê, do poeta paraibano Zé da Luz, contido no livro de sua autoria, Brasil Cabôclo:

Essa cabocla de que falo
Não tinha coipo de gente
Dê prô visto uma viola,
Cum seu vestido de chita
Prú riba da camisola.

E os seus óio, vivo e pequeno,
Era sem tirar nem pô,
Duas conchas de veneno,
Duas contas de um rosaro
Duas hosta, dois sacraro,
E duas promessa de amô.

Nos cabelos duas trança,
Dava mais graça e beleza,
Ao diacho da criatura,
As suas faces rosada,
Tinha a cor avermeiada,
Dá manga rosa madura.

A sua boca era um martiro
Era um pecado, era um desejo,
Era assim como um suspiro,
Chorando a morte de um beijo.

E antonce, onde a muié
É mais formosa e Divina
Ela tinha no lugar dos seio
Dois rumance, dois puema,
Dois espinho de Jurema,
Sobre duas tangirina.

Dizer, amigo leitor, o que se passava entre estes dois amantes, acho até desnecessário, pois muitos beijos, muitos abraços e muitos amassos, era o que não faltava. Eles pertenciam a duas famílias tradicionais e na presença destas, aparentavam dissimuladamente pouco agarramento. Porém para tudo há um limite e, esses jovem casal, já não aguentava mais. A libido já tinha ido até as nuvens e os desejos de ambos se manifestavam intensamente.

O desfecho deste romance, ficou para sempre gravado na minha visão. Vejam meus caros leitores, a moça buliçosa, ardente, transpirando encantos e aromas, deixando o amante cada vez mais louco de desejo. E no auge de tanto calor, aparece a oportunidade para o momento tão desejado. Cedendo ao incontrolável império dos sentidos, a jovem com olhar maroto, oferece ao namorado a alviçareira noticia de que seus pais iriam viajar para a fazenda no fim de semana, deixando-a sozinha em casa. A oportunidade tão esperada havia chegado.

A moça com um sorriso convidativo, fez a proposta ao rapaz de dormirem juntos durante a ausência dos familiares e, na oportunidade, fazer a Morada da Surucucu. O rapaz tomou um susto e achou meio estranho aquele pedido. Apesar de toda experiência, desconhecia tal prática desejada… No entanto concordou, e para esse fim foi procurar recurso salvador.

Durante os dias que faltavam para o final de semana, ele frequentou profissionais do ramo nesses assuntos para decobrir do que se tratava a Morada da Surucucu. Sempre obtia, para sua surpresa e desespero, respostas cheias de xingamentos. Frustrado, resolveu encarar a moça assim mesmo, com aquela incógnita. O que valia agora era a imposição dos desejos, junto com a malicia. E seja o que Deus quiser.

Finalmente chegou o momento tão esperado. Ao chegar a residência da namorada, constatou a ausência dos pais. O casal não perdeu tempo, e partiu para um agarramento daqueles. Quando a temperatura chegou ao auge, a moça com todo carinho, pediu um instante de paciência, dizendo: “Aguarde um pouquinho, pode ficar a vontade, estamos sós“. Enrolada em uma toalha, chegou de frente ao amado deixando o pano cair, mostrando toda beleza da sua nudez. Enrolou-se novamente e lhe disse: “Vou tomar um banho e volto já“.

O amigo leitor pode imaginara a tensão em que ficou o rapaz, depois da visão do objeto desejado. Para aguentar a espera procurou ouvir o som da água vinda do banheiro na expectativa da volta de sua amada. De repente ouviu um baque surdo vindo de onde estava a jovem. Correu em direção ao banheiro e ao abrir a porta do box e se deparou com ela caida no chão, e um filete de sangue escorrendo da sua fronte. Apavorado, chamou pelo seu nome, mas ela nada respondeu. Infelizmente, a vida daquela criaturinha tinha ido embora.

A jovem escorregou enquanto se ensaboava, batendo a cabeça numa queda fatal. Diante da tragedia ficou-se impossível descobrir o mistério da Morada da Surucucu. A única pessoa que a conhecia morreu, e levou para o túmulo tal segredo. Que me perdoem os estimados leitores, essas coisas as vezes acontecem com as melhores famílias.

Anúncios