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Levado pelo propósito de não deixar passar em branco por muito tempo os causos que escrevo nessa coluna, vejo-me em dificuldade, para cumprir regularmente essa tarefa. Esta semana, para solucionar esse problema, tive que fazer uma ginastica mental daquelas. Vamos lá.

Tudo aconteceu em uma noite de festa natalina dentro de uma magistral e luxuosa mansão. A alegria reinava por toda parte, e todos trocavam votos natalinos. Entre os muitos convidados, se destacava uma senhora de porte aristocrático muito bonita e atraente, que fazia questão de ficar sentada reservadamente em uma poltrona, apreciando o desenrolar da festa. O que tornava essa figura singular, era a aroma provocante e envolvente do perfume que usava. E chamava mesmo a atenção, principalmente dos homens.

Entre os convidados havia um soldado, bastante animado. Não demorou muito e o pracinha se aproximou da referida dama. Sem maiores cerimônias, convidou-a para dançar, no que foi prontamente aceito. Ao caminhar com a diva para o centro do salão, sentiu imediatamente toda a embriagado pelo perfume que ela usava. Não se contendo, pediu desculpas pela curiosidade, e perguntou o nome daquele delicioso aroma. Ela com toda delicadeza, respondeu-lhe o seguinte: “Meu querido pracinha, se você está realmente interessado em saber o nome desse perfume, apareça na minha residência amanhã ás nove horas”, entregando a ele um papel com o endereço.

Nesse momento, a orquestra parou um pouco para descansar. O soldado aproveitou para conduzir a dama de volta a sua confortá¡vel potrona. Após uma pequena pausa, o som voltou a reinar. Um padre que estava na festa a convite dos anfitriões, trocou a indumentaria clerical por um terno civil e caiu na folia com os convidados. Não demorou para o reverendo perceber a misteriosa figura.

Levado pela curiosidade, caminhou até onde ela se encontrava e convidou-a para bailar. Mal tinham dado dois passos, o aroma invadiu o ambiente e o olfato do alegre cura. Com toda diplomacia que o cargo de sacerdote lhe confere, perguntou o nome daquela fragância maravilhosa. “Bem que gostaria de satisfazer o seu pedido, amigo reverendo, porém esse perfume tem um nome complicado por ser importado, são mesmo olhando o frasco para responder sua pergunta” respondeu ela. E continuou: “Se o meu querido padre tem mesmo interesse em saber o nome, estarei inteiramente a sua disposição em minha casa amanhã ás dez horas”. O padre prontamente concordou, deu boa noite e retirou-se.

A badalação continuou até altas horas. No começo da madrugada, surgiu um convidado ilustre e muito especial, tratava-se de um General do Exército que pertencia a famí­lia dos anfitriões. Sua chegada trouxe mais animação aos presentes. O general era viúvo, assim sendo, a festança estava pra ele. Cumprimenta um, cumprimenta outro, até estancar diante daquela linda mulher. Sem perda de tempo, convidou-a para dançar. Proposta aceita, já sairam de braços dados. Além de provocar curiosa atenção dos presentes, havia outro motivo muito comentado.

O leitor já deve ter percebido tudo. O cheiro forte e inconfundível do perfume impressionou também o militar que, sem maiores delongas, fez a mesma pergunta do soldado e do padre. A resposta foi curta e convicente: “Já fui interpelada duas vezes esta noite com a mesma questão. Não pude satisfazer as solicitações por tratar-se de uma fragância francesa que, no momento, não lembro do nome. Se o senhor quer mesmo saber, apareça en minha residência amanhã as onze horas, e revelarei o nome desse tão desejado perfume”.

Ficou curioso? Aguarde a conclusão no próximo post.

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