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O tempo é um sujeito gago, e é preciso ter paciência para entender o que ele diz. O seu amigo aqui se encontra nessa encruzilhada. E isso é bastante desconfortável para o desenvolvimento das idéias. Como já tenho por certo, a peculiar generosidade dos meus queridos leitores internautas, continuo palmilhando o caminho onde vão parar os meus causos.

Na história de hoje, vou contar um acontecimento que chamou atenção da população de uma pequena cidade do interior da Bahia. Lá pelo meio da década de 40, a energia elétrica que havia nos pequenos municípios baianos, era gerada por meio de motores termo-elétricos, razão de haver problemas no fornecimento de energia a várias comunidades interioranas.

Vou reportar uma passagem curiosa e ao mesmo tempo singular. Na cidade em foco, houve um progresso repentino e, por esse motivo, não demorou muito a necessidade de um novo gerador de energia com capacidade para atender a população, que havia triplicado em menos de cinco anos. Para resolver esse grave problema, só apelando para o Governo do Estado. E foi o que fez o prefeito municipal. Naquela época, havia sido eleito para a Câmara Federal, um candidato filho da cidade em questão, e isso deu ensejo ao prefeito aproveitar a oportunidade para pleitear com o deputado “da terra” a solução dessa carência.

Assim que recebeu o documento, o nosso prestigioso político arregaçou as mangas e foi a luta. O deputado foi procurar o Presidente da República pessoalmente, solicitar essa grande ajuda para a cidade que o elegeu. Em menos de quinze dias chegava ao município um caminhão trazendo o motor e dois engenheiros eletro-mecânicos para a montagem do dito cujo gerador.

A chegada dessa ajuda foi comemorada com grande alegria pela população, houve até queima de fogos, mostrando todo o agradecimento de uma cidade laboriosa. Os dias vão passando e os moradores não se cansavam de elogiar o destacado filho da terra, como sendo um verdadeiro salvador da pátria. Tudo ia bem, mas eis que de repente, o motor pára de funcionar.

O prefeito mais que depressa solicitou providências no sentido de resolver aquela dificuldade. Não demorou muito e chegava na cidade, o melhor engenheiro eletro-mecânico do estado, “heroi” recebido com todas as honras e votos de boas-vindas. A partir daí, foi um desmonta aqui, monta ali, abre uma peça, fecha outra e nada de conserto.

Diagnóstico do profissional: “O motor não tem mais jeito. Agora, só um novo”. Diante desta alternativa, o secretário do prefeito decide chamar o eletricista da cidade: o ‘Seu’ Noé. Noé era um profissional bastante competente, embora gostasse de tomar drinques nos finais de semana. Por essa razão, não era bem aceito pelo alcaide que não via com bons olhos ter aquele beberrão trabalhando para a prefeitura.

Assim que recebeu o convite, o eletricista não se fez de rogado, apanhou sua caixa de ferramentas e foi atender ao chamado. Munido de sua chave de boca, Nóe apenas apertou um parafuso que estava saliente e em seguida, folgou outro apertado. Ao ser ligado, o motor respondeu de pronto e foi aquele alvoroço entre a população.

Passada a euforia, hora do acerto de contas. Naquela época, dez mil réis era uma baita soma de dinheiro, mas na hora de cobrar o seu serviço, Noé pediu exorbitantes 500 mil. O prefeito deu um pulo alegando que aquela importância cobrada era um roubo. “Como é que você tem coragem de pedir essa valor para apertar um parafuso e folgar outro?” retrucou o chefe do executivo. Veja o que Noé lhe respondeu: “Sr. Prefeito para apertar um parafuso e folgar outro custa apenas mil réis. Agora, saber qual apertar custa 499,000 réis.

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